21 de julho de 2010

IESB entrevista a matilha

Na Saga Crepúsculo: Eclipse, os vampiros da família Cullen e os lobos tem que trabalhar juntos, a fim de aumentar suas chances de derrotar um inimigo malvado e forte que têm em comum, que ameaça a existência de ambos. Com isso, os fãs vão ver um pouco mais do lobos, incluindo o triângulo amoroso entre o Alfa Sam Uley (Chaske Spencer), sua alma gêmea Emily (Tinsel Korey) e sua ex Leah Clearwater (Julia Jones).
Em uma conferência de impressa para o filme, os co-estrelas Chaske Spencer, Alex Meraz e recém-chegada na Saga Julia Jones falaram sobre como estão agradecidos em representar a comunidade Nativo Americana dessa maneira.

Q: Julia, como foi juntar-se à matilha sendo a única mulher?
Julia: Sabe, tudo aconteceu muito rápido. De repente fui jogada nesse grupo de garotos, para mim pessoalmente, que cresci sendo uma moleca, foi tudo muito familiar.

Q: Você  era fã dos dois primeiros filmes da Saga? Você sabia algo sobre o papel?
Julia: Eu tenho muitos amigos que são grandes fãs. E não tinha lido os livros antes, mas na verdade, uma grande amiga minha contou sobre esse papel da Leah Clearwater. “Eles farão um filme envolvendo isso, é para você. Este papel será seu”, ela disse. Isto é algo que você escuta e entra por uma orelha e sai na outra. Tipo, “Que legal. Ela só quer o melhor para mim”, ou tanto faz. Então quando fui chamada para a audição, tudo que escutei foi, “Você tem uma audição na segunda-feira para o papel de Leah Clearwater na Saga.”
Foi muito estranho, tive uma reação bem visceral,  meu coração começou a acelerar, e eu respirava. Depois comecei a trabalhar.
Q: Você  é uma dos que acredita no sobrenatural?
Julia: Boa pergunta. Sim, eu sou. Se tivesse que dizer sim ou não, diria que sim, com certeza.
Q: Desta vez como foi trabalhar com David Slade, comparando o último trabalho com Chris Weitz?
Chaske: Ambos são diretores muito bons. David foi muito preciso no que queria. Foi exato, como o Chris também foi. Mas o que gostei em David foi a rapidez. Adoro trabalhar com diretores diferentes, isso te mantém alerta. Ele foi um doce, muito charmoso.
Alex: Curti muito trabalhar com ele pelo fato de já ter experiência em fazer pequenos filmes e ser um cineasta, e vendo seu processo de trabalho, percebi que ele é muito mais um cineasta do que um diretor. Havia momentos em que ele ameaçava pegar a câmera e gravar sozinho. Ele se envolvia, sempre com uma câmera pendurada em seu pescoço documentando todo o processo. O que foi muito emocionante e inspirador de ver. Com Chris Weitz foi incrível, ele foi gentil. Fazer parte do fenômeno que é Crepúsculo, é muito bom ter alguém assim no comando, nos guiando cuidadosamente. Agora que fizemos a transição para outro filme, sabemos qual é a essência. Nós sabemos aonde ir com tudo e o David foi uma boa escolha para assumir a franquia.
Q: Qual foi a cena mais difícil de fazer?
Julia: Para mim a cena mais difícil também foi a mais divertida. Foi a cena da grande batalha, quase no fim do filme, estava frio e chovendo. Havia tantos personagens na cena, um grande caos e tudo tinha que acontecer muito rápido. Acho que originalmente a cena foi programada para ficar completa em dois dias, e no fim acabou levando duas vezes mais tempo para finalizar. Foi caótico e exigiu nosso fisíco e emocional, porque estávamos congelando e vestindo poucas roupas. Aquilo foi um desafio, mas depois de um certo ponto, você começa a curtir, porque não há nada melhor do que estar com um monte de pessoas, em um lugar lindo, fazendo o que gosta.
Alex: Acho que a cena mais difícil foi a que ela falou. Nós estávamos correndo e estava chovendo com mais ou menos um pé de água. Meu passado foi na dança e senti, tipo, sou muito bom com os pés. Então eu disse ao resto do elenco, “Tudo bem pessoal, está muito escorregadio por lá. Não coloquem peso nos calcanhares, usem as pontas dos pés. Assim será melhor para cavar o chão e conseguir mais impulso.” E então, tivemos que fazer uma curva e todo mundo fez muito bem. E depois, claro, eu escorreguei e cai, estava todo coberto de lama e tinha água por toda parte. Foi essa cena que usaram, onde corremos em direção à Jacob, se olhar para mim, estou no fundo com um sorriso meio bobo, por que usaram a tomada feita no momento depois da queda. Eu tentava não cair na gargalhada.
Julia: Eu só lembro de chegar em nossas posições e ficar tipo, “Cadê o Alex?” e logo ele apareceu todo coberto de lama, e escutei o David dizer, “É isso! Está perfeito!”
Alex: Foi verdade.
Chaske: Eu o ouvi! Quando estávamos correndo, ouvi ele escorregando e caindo, e depois só escutei um palavrão.
Q: Vocês sentem que a franquia Crepúsculo criou mais oportunidades fora dela para os atores Nativos Americanos?
Chaske: Sim, criou. O que mais gosto sobre isso é que nos trouxe para a cultura popular de uma maneira que nunca foi feita antes. Vamos ficar por aqui por algum tempo. Venho trabalhando por mais ou menos 10 anos, Alex e Julia também estão por aí trabalhando. Gosto porque finalmente nos trouxe a um lugar onde nem sempre estamos trabalhando com couro e penas. Desta maneira pagamos nossas contas. Claro que depende da mídia nos aceitar como os outros e não só como sendo as figuras míticas, falando com sotaque o tempo todo. Eu tenho feito isso tantas vezes.  Os jovens estão aceitando a gente mais do que nunca. Isso que é o mais legal.
Julia: O que me anima é ser colocada em frente às crianças e pessoas que estão naquele processo de definir a ideia que tem sobre quem são os Nativos Americanos. Eu acho que isso é provavelmente o mais valioso na maneira em que estamos sendo retratados neste filme. Ainda sinto que alguns adultos e a mídia tentam entender. Eu ainda não sou uma atriz, sou uma atriz Nativa Americana. Não é tão comum para quem cresceu assistindo aos filmes indígenas como Dança com lobosJerônimo e todos os outros.
Alex: E os filmes da Saga têm um cenário contemporâneo. Nós não temos arcos e flechas, nem temos roupas.
Julia: Um passo na direção certa.
Q: Vocês já  ouviram falar sobre alguma das tribos, em particular na que tudo isso é baseado?
Alex: O fascinante em retratar uma tribo que existe de verdade é que todas as coisas reais que a Stephenie pegou sobre eles, ela misturou com a fantasia. Agora muitas pessoas estão indo para La Push, em Washington, onde de fato a tribo Quileute reside, para aprender mais. São forçados a perguntar para saber mais sobre a cultura. Eu acho ótimo que estejam ganhando destaque para apresentar e contar sobre a sua origem e história real. Isto é importante, os fãs estão tão interessados, eles querem aprender mais sobre de onde isso surgiu para saber sobre a raiz dos lobos, de onde eles vieram.
Chaske: Estamos recebendo uma resposta de toda nação indígena, dizendo: “Já era hora”. Estamos recebendo um apoio massivo do nosso povo nas reservas. Isto abriu uma porta totalmente diferente para nós. E também é uma grande pressão, já que temos que servir de modelo… Algo que me assusta, porque é uma grande responsabilidade para carregar.
Julia: É muito gratificante saber que as pessoas se importam comigo, que veem a gente em lugares que eles nunca imaginaram estar. É emocionante, você sente que realmente está abrindo a mente das pessoas que pensavam que não era possível sonhar alto.
Chaske: Pelas estatísticas nós não deveríamos estar aqui. Crescemos em uma reserva e lá é como um país de terceiro mundo. Há muita pobreza, alcoolismo e vício em drogas. Portanto, sabemos que somos muito afortunados em estar aqui. Somos muito sortudos e gratos.
Q: Julia, poderia falar sobre seu papel em Jonah Hex. Como foi?
Julia: Aquilo também foi uma experiência incrível. Meu personagem é Cassie, esposa de Josh Brolin. Logo no começo do filme, ela e seu filho pequeno são assassinados, e é isso que motiva Jonah Hex. Ele fica muito amargo e sai por aí matando. Ele é um caçador de recompensas. Não fiquei lá por muito tempo, mas a experiência foi maravilhosa porque estava no set com Josh (Brolin), John Malkovich e Michael Fassbender, que é uma ator incrível. E foi no momento perfeito, porque estava terminando Eclipse e tinha feito uma peça de teatro. No fim dessa experiência estava tipo, “ Este é o tipo de coisa que quero fazer, as pessoas, o tipo de set e o sentimento que quero ter.” Então tenho isso em mente, nesse ponto em que de repente as oportunidade surgem como resultado de Eclipse. Só sinto que tenho uma ideia de para onde quero ir.
Q: Existe alguma parte da história sobre a origem dos lobos  mostrada no filme que é verdade?
Alex: Isto foi tirado de uma história real da origem deles, só que sofreu uma pequena alteração. A mitologia da origem conta que os descendentes dos Quileutes vieram dos lobos, mas não que eles conseguiam se transformar de volta. E a Stephenie pegou essa parte, só que em seus livros conseguimos nos transformar e voltar à forma humana. Ele fez muita pesquisa em cima disso, até o nome. Acredito que na história da origem e mitologia, em La Push, o primeiro homem branco a entrar na reserva tinha o sobrenome Swan. Então, ela usou essas pequenas coisas, o que achei muito interessante. Ela fez sua lição de casa.
Q: Você pode falar sobre o triângulo amoroso entre Sam, Leah e Emily, e como isso afeta a história no filme?
Chaske: Acontece que quando os vampiros voltam, o Sam Uley transforma-se em lobo. Ele não sabe o que está acontecendo com ele e nem o porquê disso. Então acaba passando por isso sozinho, sem ninguém para guiá-lo. E ele está namorando Leah, mas acontece que há essa coisa chamada Imprinting, é quando você sofre um imprinting por alguém que é sua alma gêmea, como aconteceu com a Emily, prima da Leah. Assim como Sam estava passando por essas mudanças, outros membros da tribo também estavam e ele os ajudou, guiando-os como um treinador ou padrinho. Isto é o que ele faz com Jacob no livro. E enquanto ele estava passando por essas mudanças, infelizmente, ele se depara com Emily. Por isso ela tem essas cicatrizes no rosto. Sendo assim veremos mais desse triângulo no filme, onde Leah e Sam trocam esses olhares raivosos às vezes. É uma história maravilhosa. Eu adoro e isso que me atrai no Sam, gosto do fato de ter essa tragédia. Ele não queria isso, no começo, ninguém poderia querer e ele não teve escolha. Isso é o que separa os lobos dos vampiros. Até o último minuto alguns deles tem a escolha que Sam não teve.
Q: Então Sam sente como Jacob pela a situação com Bella?
Chaske: Oh, sim, ele sente. Ele tem que sentir, já que Jacob é braço direito do lobo alfa. Ele deu esse direito para o Sam, por que não queria. E o Sam infelizmente é quem tem que comandar o bando.
Julia: Isto também é interessante, porque uns dos grandes aspectos dos lobos é o fato de podermos ler os pensamentos uns dos outros quando somos lobos. Como se existisse todo esse outro mundo extra-texto acontecendo no filme. Eu não sei como seria possível retratar pessoas lendo o pensamento das outras. E há  todas essas camadas operando por nós, como Leah ouvindo os pensamento de Sam sobre sua melhor amiga, Emily, e ela lendo os pensamentos dele de piedade sobre ela.
Chaske: Seria um saco na vida real.
Q: Como é entrar para uma franquia com essa grande base de fãs?
Alex: É como pular em uma panela quente. Você só sabe que será cozido e com sorte cozido bem. Definitivamente animador. Sinto a grande responsabilidade, costumava ir às reservas e ensinar sobre saúde, em conferências sobre bem estar, arte e dança. Então sabia que era visto como um modelo a seguir, o que me assustava. Mas tive certeza de que, primeiro poderia me apresentar de uma boa maneira, tentando que me preparar da melhor maneira possível, tendo a certeza de ler os livros fazendo meu trabalho. Por sorte fiz na verdade bons amigos durante esse caminho, o que me ajudou a ficar confortável com o que viesse.
Julia: Eu estava apavorada, ainda fico às vezes. No começo, você é de um tamanho e de repente fica muito, muito menor e em outros aspectos fica muito maior do que realmente é. Você tem que aceitar e curtir porque faz parte de algo importante para tantas pessoas.  Nós todos somos comprometidos com nossos personagens e em contar sua história.  Eu fiquei tão surpresa em ver que Taylor e Kristen são tão pés no chão. Eles foram as primeiras pessoas que conheci. Nós aparecemos para trabalhar e realmente nos importamos e queremos fazer o melhor que pudermos. Sinto que isso nos une e faz do trabalho uma diversão, e há muito trabalho. Isso também elimina todo o medo.
Chaske: É fácil trabalhar com esse elenco. Alguns deles já trabalham por algum tempo e para muitos é sua grande chance, e todos tem essa noção. O que mais gosto é que todos são humildes, todos sabem que isso é  uma benção. Isso é coisa que não acontece com frequência. Quando entrei para a franquia sabia que seria grande, mas não esperava tudo isso. Ninguém te dá um livro explicando como isso funciona nesse nível, existem maneiras de manter sua vida particular, de portar-se e fazer um bom trabalho. No fim somos só atores, bem sortudos. Está franquia é grande e vai ser um grande fenômeno da cultura popular, mas consequentemente a próxima coisa virá. Nós estamos tentando nos prender às boas oportunidades. É uma jornada divertida, com experiências e oportunidades incríveis.
Q:  Julia, você  e o BooBoo Stewart são as novas adições no, aparentemente coeso, grupo de atores. A matilha tinha algum ritual de zoação do qual você foi vítima?
Julia: Eu diria que a cada cinco minutos alguém era zoado, e na maioria das vezes esse alguém era eu.
Alex: Quando alguém é escolhido para um papel seleto como esse, você sabe que eles passaram por muita coisa, porque há tantas pessoas exatamente agora querendo estar nessa franquia, que estão animados. Quando o BooBoo e a Julia foram à seleção com Xavier Samuel, você percebe que será como o Ídolos. Milhões de pessoas estavam indo para os papéis, a primeira atitude é tirar seu chápeu e dizer, “ Bom trabalho! Meus parabéns!”, e depois você os conhece melhor, mas não acho que é tirar sarro, eu só provoco muito as pessoas. É uma coisa do Paul.
Chaske: Em Lua Nova nós provocávamos para manter nossa humildade, se seu ego ficasse inflando nós manteríamos uns aos outros pés no chão.
Jula: Eu sempre tinha a sensação de ter algo no meu cabelo. Que sempre tinha algo me tocando.
Q: Em Amanhecer, há alguma coisa específica que espera que seu personagem tenha que fazer?
Chaske: Eu só espero que tenha mais da matilha. Eles têm sido muito bons em manter o enredo.
Stephenie está no set de filmagem também. Os fãs obviamente gostam dos filmes por que estão sendo mantidos bem próximos dos livros e com Amanhecer será a mesma coisa. Será feito justiça para com os fãs.
Q: Qual lenda Nativa Americana você gostaria de ver transformada em filme um dia?
Chaske: Eu sempre tive fascinação pelo Crazy Horse¹. Ele vem da minha tribo, os Sioux e já li tantos livros sobre ele. Isto é algo que gostaria de verdade de trazer para as telas, não quero ser o Crazy Horse, mas gostaria de dirigi-lo. Trata-se de uma dessas histórias que muitas pessoas não conhecem. Ele é uma figura mística, um guerreiro e um líder que me fascina como um personagem.
Julia: Existe algum filme sobre Sacajawea²? Ela aparece em alguns filmes, mas nunca foi feito um sobre ela.
Alex: Uma Noite no Museu.
Julia: Esse não conta! Não existem muitas mulheres Nativas Americanas notáveis na história. Há a Pocahontas e Sacajawea. Eu escutei muitas histórias de membros da minha família que são interessantes, mas que não são o mesmo para as mulheres.

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