24 de julho de 2010

Hitfix entrevista Billy Burke

Billy Burke, de A Saga Crepúsculo, parte para o lado obscuro em Drive Angry 3D.

Muitos astros de A Saga Crepúsculo tiraram bom proveito da fama para conseguirem grandes papéis em filmes, mas ninguém desejou mais isso do que Billy Burke. Burke, que é conhecido como o pai de Bella, Charlie Swan, trabalha em Hollywood há quase 20 anos, fazendo pequenos papéis em filmes como Um Crime de Mestre, Brigada 49, Na Teia da Aranha e fez participações em seriados da TV como Gilmore GirlsMy Boys 24 horas. Agora, ele está tendo uma significante oportunidade como um conivente e líder de um culto demoníaco no filme de terror Drive Angry 3D.

Em visita ao set de do filme, em Shreveport, Louisiana, há alguns meses, Burke foi o centro da pesada cena de ação entre seu personagem e um pai vingativo, interpretado por ninguém mais ninguém menos que Nicolas Cage. Burke reservou um tempinho para sentar e conversar com a imprensa, em uma noite de maio muito quente. Ele foi sincero e superior, como é esperado de um veterano de Hollywood.

Q: O seu visual é bem rock and roll.

Burke: Você acha?  Bem, fui mudando aos poucos. Algo entre Jim Jones, Jim Morrison e, talvez, até um pouco de Tony Robbins (risadas).

Q: É algo que te atrai à parte?

Burke: Sim. Eu gosto dessa atitude meio extravagante que esse cara tem. Então, sim.

Q: A pergunta óbvia, que todos nós, nerds, estamos nos perguntando é se isso é ou não um pouco catártico logo depois de fazer o pai de Bella, emCrepúsculo.

Burke: Sim, de fato. Na verdade, nos primeiros 10, 11 anos da minha carreira eu interpretei o namorado mau caráter com uma arma. Fiquei meio cansado disso e, por alguma razão, comecei a interpretar policiais com mais frequência. Então, essa foi uma saída legal e nova. Eu tenho que fazer algo que eu normalmente não faria e me soltar um pouco para isso. Algo que ninguém faria normalmente, eu acho (risadas).

Q: O que está rolando com as unhas?

Burke: Isso não tinha sido planejado. Nós começamos a conversar sobre como esse cara seria e o que faria. E então, um pouco depois de eu vir para cá eu pensei: bem, andei pensando nos filmes dos anos 80 e nos personagens parecidos que eu gostava de assistir. E eu me lembrei de um personagem de um filme que eu gostava muito. E em um dos momentos desse filme começa com as unhas. Não te direi qual o nome do filme para que não perca o nosso foco e para que eu não fique como um “ladrão de ideias”. Mas essa foi uma ideia que veio no meio do processo de colocar esses caras juntos. Então eu entrei nessa e agora é um pé no saco conviver com isso. Mas eles estão trabalhando bem para isso.

Q: Não  é bem roubar ideia, é um tipo de homenagem, não  é?

Burke: Sim, é uma homenagem. Podemos chamar assim. Gostei dessa palavra.

Q: Então vamos deixar isso para lá.

Burke: Sim. Sabemos de que filme eu estou falando?

Q: Superman IV? (risadas)

Burke: Ahh, não!

Q: Eu quase quis dizer algo como 48 Horas, mas tenho certeza de que estou errada.

Burke: Não. É… eu não vou te dizer, por que é… Quando você assistir de novo, irá descobrir. É ótimo. Superman IV? Eu não sei se assisti ao Superman IV.

Q: Com um filme muito violento com esse, um filme muito difícil, você fica com receio de ir além com o personagem, ou você apenas deixa levar…

Burke: Eu não tenho receio, mas é muito raro quando eu vou além com o personagem. Às vezes quando eu fico de saco cheio, eu me esforço para chegar lá. Mas, normalmente, eu não curto isso. Prefiro ficar dentro dos limites do que eu acho que é realista e neste filme, nada é realista. Mas sim, há muita liberdade aqui. Quero dizer, há muitos lugares em que posso ir e me divertir.

Q: Nós vimos sua sessão de fotos. Seu personagem parece ser um cara bem intenso.

Burke: Sim. Ele teve uma visão e sente que está certo. E não há nada…como em uma das falas do filme: “não há nada mais perigoso que um homem justo com um foco.”

Q: Qual será  a primeira parte em que o veremos no filme? Você  aparece bem no começo?

Burke: Não. Acho que Jonah é citado no começo. Nós sabemos que há alguém que terá algo importante para o personagem do Nick, então nós temos alguns vislumbres dele e ele aparece nas visões. Ele aparece mais ou menos na página 33, eu acho.

Q: Você  teve de dirigir alguns desses carros maneiros?

Burke: Não. Você viu o RV? O RV é aproximadamente de 1975, talvez, alguma coisa assim, que combina completamente com o que estamos fazendo aqui, uma farsa real, mas Patrick preferiu ficar com algo que combinasse com o sentimento do filme. Este filme faz lembrar alguns dos anos 70, que foram feitos com imprudência e que eu realmente cairia fora. Estou vendo algumas fotos e parece mesmo com algo do tempo de Steve McQueen, mas com algo inovador de 2010.

Q: Qual a história do pentagrama com a coroa?

Burke: Aquilo é a marca de Jonah. É seu emblema. É o símbolo do que ele representa. Acho que poderia ser chamado de satânico, mas não acho que ele está fazendo essas coisas em nome de Satã. Ele está colocando isso acima dele mesmo para saber o que aqueles ideais podem ser, integrar isso na sua própria escola e, posteriormente, resgatar isso de lá. Então aquela é sua estampa que ele põe em seus seguidores e o símbolo do que seremos depois.

Q: Ele é um vilão que podemos entender o que está fazendo e por que, ou ele é apenas um maluco?

Burke: Eu não entendo (risadas). Com o que ele está fazendo, com o que nós estamos fazendo aqui, não acho que alguém realmente vá entender os motivos. Vamos encarar os fatos, um bebê quase é sacrificado.

Q: Bem, quem não pensou nisso?

Burke: Quem não fez isso? Então não acho que alguém vá ficar do lado dele. Mas por falar nisso, existem coisas sendo feitas por todos os personagens neste filme e você não ficará do lado deles. Todos são quase os vilões, ele é apenas o cara errado.

Q: Houve alguma apreensão da sua parte? Por que o seu personagem, aparentemente, apronta confusões no filme. Houve alguma hesitação para você se manifestar ou você estava tipo “essa é apenas uma parte do filme”?

Burke: Eu pensei nisso por um segundo. Tenho uma filha que tem quase dois anos agora, praticamente a mesma idade do bebê do filme com o qual estamos fazendo coisas abomináveis. Mas depois pensei, é apenas um filme. E nesse filme, você precisa… com todas as coisas que são o ápice e os lugares que vamos neste filme, você precisa de alguém que dê aquela pitada a mais de maldade. E uma vez eu percebi o que estávamos fazendo e como poderia fazer isso, eu disse: Isso é redundante. Vamos fazer.”

Q: Você  pesquisou sobre algum líder de culto antigo, como líderes de culto da vida real e coisas assim para chegar a algum senso de como essas pessoas eram aliciadas?

Burke: Normalmente, eu não faço pesquisas, mas neste caso eu fiz. Eu me lembro de Jim Jones de quando eu era criança, de ver e ouvir algumas fitas da época e, imediatamente, eu pensei em algo naquele estilo. Então eu ouvi algumas fitas do Jonestown. Eu não sei se alguém se lembra, mas ele falava de um jeito muito cruel (risadas). E eu pensei em pegar isso por um segundo, mas isso seria muito para uma homenagem. Então nós descartamos isso.  Mas, sim, eu ouvi algumas coisas desse tipo.

Q: Quantos seguidores você tem no filme? É algo em torno de cinco…?

Burke: Eu acho que começa com algo em torno de 11 e termina com mais ou menos 30 pessoas…(risadas).

Q: Bem, isso é muito bom.

Burke: Eu acho que ele é maior…quer dizer, eu acho que ele pensa que é maior do que na verdade é. Mas, não, não é enorme.

Q: O seu personagem já tem um uma história com o personagem de Nicolas Cage ou começa no filme?

Burke: Há uma história. A filha do personagem do Nick é uma das minhas primeiras seguidoras. E ela é tipo a minha musa, meu foco. Então eu a introduzi e quando eu percebi o que eu poderia ter dela e o que ela poderia fazer por mim, eu comecei a usá-la para… basicamente começar a focar nela o que eu realmente poderia fazer e isso foi ter um filho por meio dela e usar o bebê para, bem, na mente dele, colocar o mundo em ordem.

Q: O que você  acha de gravar em Shreveport?

Burke: Quando soube que iríamos filmar, eu conversei com algumas pessoas que já tinham filmado aqui e todas elas disseram: “Ah, Shreveport. Então tá, divirta-se!” Mas, na verdade, eu queria mesmo me divertir. Trouxe minha família, minha esposa, a babá, minha filha e nós achamos uma pequena casa bem legal nos arredores da cidade e estamos… na verdade, é como se fossem férias para relaxar. Não há muito que fazer, mas parece que nós não queremos fazer nada mesmo, a não ser trabalhar, relaxar e ficar juntos quando podemos. Eu gosto na energia daqui. E você?

Q: Nós estamos aqui a menos de um dia.

Burke: Ah, tá. Vocês deveriam visitar o cassino El Dorado. É bem legal (risadas). Eu gosto de jogar poker nas minhas horas vagas. Então, nas minhas primeiras duas semanas, quando minha família ainda não estava aqui, eu passei muito tempo fazendo isso, jogando um pouco de poker.

Q: Apostando dinheiro ou só  competindo?

Burke: Não há competições no El Dorado. Eu jogo nas competições de poker, mas…Bem, há as competições durante o dia, mas eu não posso comparecer. Então, eu aposto dinheiro. Não é uma grande quantia, mas eu fiz alguns amigos lá e nós estamos nos divertindo.

Q: Tenho uma curiosidade: como o sucesso de Crepúsculo te afetou? Você não pode ir ao Hot Topic, pode?

Burke: Hot Topic é bem complicado, hein. Quando eu não estou de bigode, é bem mais fácil. Mas, sim. Olha, eu não sou Nick Cage ou Robert Pattinson, mas isso acontece. Então quando eu vou jogar poker ou algo parecido, eles se sentam do outro lado da mesa, reparam nas minhas unhas e perguntam: “Ei, o que é isso?” Aí uma pessoa diz: “Eu te conheço de algum lugar.” Depois a outra fala: “Ele é o pa, pa, pa, pai.” Então terminamos com uma alguém dizendo: “Você pode tirar uma foto com a minha filha?”Normalmente, é isso.

Q: Eu sei que vocês irão fazer mais um filme. Talvez dois, não sei. Você  está feliz que isso esteja acabando, ou…

Burke: Você está falando de Crepúsculo?

Q: Sim. Ou você  se diverte com isso tudo?

Burke: Tem sido uma ótima aparição para mim, vamos encarar os fatos. Estou neste ramo há 19 anos e o surgimento desses filmes, com certeza, foi uma luz e me levaram a um lugar diferente. Então, eu não tenho nada a não ser amor e respeito por esses filmes, pelos personagens e por todas as pessoas que trabalham nisso. Para mim, é como aparecer em um set de programa de televisão, por que eu retrocedo todas as vezes, visto as mesmas roupas e entro no mesmo ritmo e isso é muito confortável. E em termos de carreira, sim, é um grande projeto. Então, eu não tenho nada além de amor por isso. E, sim, nós começaremos a gravar o próximo filme em novembro, possivelmente, aqui em Shreveport. Faremos algumas externas em Vancouver e ouvi dizer que eles estão pensando em Louisiana para gravar as cenas em estúdio.

Q: Então compre uma casa.

Burke: Estou pensando nisso. Minha esposa já está à procura. Quando passamos uma semana em Nova Orleans, ela se apaixonou por aquele lugar, assim como eu.

Q: Você  não falou sobre trabalhar com Nick e contra ele em algumas cenas. Você pode contar sobre o processo de vocês e como foi ferrar com ele?
Burke: Eu não sei qual o processo dele. Tudo o que sei é que quando ele aparece… A primeira fez em que ensaiei com ele tive um daqueles momentos em que estava olhando-o de frente, conversando e lendo algumas falas e eu dizia para mim mesmo: “Esse é o Nick Cage. Eu cresci assistindo aos seus filmes. Eu cresci amando ele.” E ele não me desapontou em termos de humanidade. Ele não poderia ser um cara mais doce e respeitador e não poderia estar mais… Nós começamos a batucar em algumas coisas e eu disse: “Não é legal que estamos apenas batucando?” e ele respondeu: “É cara, é como o jazz. Isso é melhor quando é como o jazz.” E eu falei: “Tudo bem. Você é bom nisso. Essa foi boa.” (risadas). Até onde eu o conheço até agora, eu amo esse cara.

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